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Era Uma Vez

Palavras Artísticas!


Banda de quatro meninas, sendo que uma está com microfone e outras com instrumentos musicais


– Não, gente, nós já aprendemos isso, vocês não se lembram?

Os alunos da professora Vânia estavam muito desatentos quando o assunto era a ortografia.

Ninguém sabe como eles não estavam gordinhos, pois viviam “comendo” letrinhas na hora de escrever.

A professora já estava cansada de repetir que a gente fala de um jeito, mas tem que escrever do outro.

Mas parecia que seus esforços não estavam valendo a pena.

Coitada da professora Vânia... Bom, reclamar da vida não adianta nada, não acha?

Sabendo disso, a esperta professora pensou, pensou, pensou e, enfim, teve uma brilhante ideia.

Ela já tinha observado como seus alunos viviam assobiando uma musiquinha daqui, outra musiquinha dali, outra de lá...

No fundo, ela achava que aqueles alunos ainda iriam se tornar ótimos cantores, além de grandes poetas, daqueles de fazer qualquer pessoa chorar de emoção.

Então, depois de perceber que aqueles pequenos artistas estavam ficando desmotivados devido às inúmeras queixas que ela fazia quanto à ortografia, deu início ao seu
plano infalível:

– Criançada bonita e esperta, vamos lá, gente, ânimo! Que história é essa agora de vocês ficarem com essas carinhas jururus?

– É que a gente está cansada, “fessora”... – Aline, uma das “poetisas” da turma, tentou se explicar.

– Ah, então, está bom, pessoal... Era só me explicarem, oras bolas... – Na verdade, a professora Vânia estava dando uma de “João sem braço”.

Com essa estranha atitude da professora, todos os alunos ficaram com a cara mais confusa do mundo.

Eles pareciam que não estavam acreditando que a professora, enfim, tinha desistido daquele assunto chato de ortografia.

Com uma cara feliz, a professora Vânia caminhou calmante indo se sentar à sua mesa, dizendo:

– Bom, pessoal, só que a gente não vai poder ficar aqui sem fazer nada... Vamos lá, me respondam: O que vocês mais gostam de fazer aqui na escola?

Ai, meu Deus, para quê a professora foi inventar de perguntar aquilo...

Não deu outra, a criançada ficou toda alvoroçada e começou a dizer todos de uma vez só:

– Brincar na hora do recreio, Jogar Bola, Comer merenda, Cantar musiquinhas “da hora”, Fazer poeminhas, Colecionar figurinhas, Brincar de Pega-pega...

A professora teve uma leve tontura, mas se recuperou rapidamente:

– Calma lá, pessoal, mas o que é isso, gente? Isso aqui está parecendo mais um mercado de peixe do que uma sala de aula. Onde já se viu um negócio desses? Ah, vou falar uma coisa, viu?

Como num passe de mágica, os aluninhos ficaram tão quietinhos que mais pareciam uns anjinhos sem asas.

Tentando se manter calma e não perder o foco, ela continuou:

– Gente, eu ouvi alguma coisa sobre música e poesia, foi isso?

– Sim, professora, a gente sempre canta música ou escreve poemas na hora do recreio. A gente faz igualzinho àquele filme que a senhora trouxe esses dias... – Vanessa, uma das poetisas da turma, respondeu educadamente.

E era verdade mesmo.

Somente agora a professora Vânia tinha se dado conta de que tinha feito um projeto muito bacana de Cinema com os alunos.

Então, ela percebeu que aquele era o momento certo de dar início à sua estratégia:

– Então, gente, já sei o que podemos fazer hoje! Vamos escrever vários poemas para a gente cantar!

Nossa, dava gosto de ver a carinha de felicidade daqueles pequeninos alunos da nossa querida professora.

Sem perderem tempo, só se viu carteiras sendo arrastadas de um lado e do outro, mochilas sendo encaminhadas para o fundo da sala, lápis caindo...

Mas, quando menos se percebeu, a sala já estava toda organizada em grupos que, ansiosos, começaram a fazer rimas com várias palavras.

Para ajudá-los, a professora Vânia fez uma lista com as palavras que os alunos se lembravam do filme e das músicas e poesias que eles inventavam na hora do recreio.

Nossa, teve tudo o que era palavra que se podia imaginar.

“Andando, cantando, vassoura, chiclete, placa, peixe, ameixa...”.

Eram tantas palavras que se a gente fosse escrever todas, a gente teria um grande livro repleto de palavras de todos os tipos.

Enquanto caminhava entre os grupos, a esperta professora começou a observar que os alunos estavam tendo algumas dificuldades para fazer as rimas.

E não era para menos, não...

Os alunos queriam rimar a palavra “andando” com a palavra “caminhano”. Assim não dá, não é mesmo?

Ver os alunos sofrerem daquele jeito com as rimas por causa das palavras escritas erradamente foi o que bastou para a professora interromper um dos grupos:

– Ora essa... Mesmo que às vezes a gente fale “caminhano”, no papel tem que se escrever “caminhando”, não acha?

Não satisfeita, a professora continuou sua caminhada entre os grupos e descobriu que alguns alunos queriam rimar “capa” com “praca”.

– Gente, calma lá, a palavrinha “capa” ficaria bem mais bonita se combinasse com a palavra “placa”, vocês não acham?

As coisas foram ficando mais sérias...

Entre os alunos, a professora descobriu alguns que queriam rimar “deixa” com “amexa”, sendo que o correto seria “ameixa”...

Com a professora caminhando e se intrometendo entre os grupos, as rimas ficaram prontas para ser transformadas em belíssimas canções.

Num bate-papo delicioso e descontraído depois, os alunos, enfim, estavam começando a entender que se fala de um jeito e, por mais esquisito se seja, se escreve de outro.

Para completar aquela deliciosa atividade, os alunos fizeram um musical emocionante e apresentaram para as outras turmas da escola.

Foi o maior sucesso! Nunca antes aprender ortografia foi tão divertido.

Erika de Souza Bueno: Coordenadora Pedagógica do Planeta Educação. Professora e consultora de Língua Portuguesa pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa, educação e família. Editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Fonte da Imagem: Corbis.

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