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Era Uma Vez

Brincadeiras Sem Graça

Menina triste à frente de outras conversando sorrindo

– Cá entre nós, pessoal, a Melissa não tem cara de linguiça, o André não tem cara de jacaré e nem a Juliana tem cara de banana.

A professora Viviane começou aquela aula de segunda-feira já querendo dar um basta em brincadeiras que não têm a menor graça, principalmente para aqueles que sofrem com isso.

– Ai, professora, nada a ver, a gente não pode nem brincar... – disse Felipe, um dos mais bagunceiros da sala.

– Nada a ver, Felipe, é essa brincadeira chata e sem graça nenhuma. E se fosse com você? – a professora Viviane não deixava passar nada que pudesse prejudicar qualquer um de seus alunos.

– Ah, se fosse comigo eu iria dar um...

Felipe não conseguiu terminar a frase, pois foi imediatamente interrompido pela professora:

– Olha lá, menino, violência gera violência e nunca, em nenhum momento, resolveu alguma coisa. Ninguém resolve nada se agir com violência, deu para entender?

– Ah, “tá” bom, professora, foi mal. – O menino estava arrependido de ter respondido daquela forma, pois ele sabia que a professora, no fundo, estava certa.

Não satisfeita, a professora Viviane sabia que tinha um grande desafio pela frente, pois as crianças achavam que era normal zombar do nome do colega.

Ela sabia que qualquer problema se resolve enfrentando e, por isso, “arregaçou as mangas” e “bola para frente”:

– Felipe, Melissa, André, Juliana e todos os demais, vocês acham mesmo que é certo zombar do nome das pessoas?

Um murmurinho começou na sala da simpática professora e acabou tomando forma de um grande barulho.

Alguns alunos, entre eles o menino Felipe que amava uma boa piada, falavam que não “pegava” nada chamar os colegas por apelidos “engraçados”.

Nossa, a professora Viviane não poderia ter ouvido aquilo.

Na mesma hora, interrompeu aquele barulho todo e chamou todo mundo para uma roda de conversa muito séria:

– Gente, vem cá, eu também acho que brincar não “pega” nada, mas temos que respeitar, pelo menos, uma regrinha básica. Alguém tem ideia de qual seja?

– Regrinha básica para brincar? – perguntou Fabíola, uma das mais estudiosas alunas daquela brilhante sala de 4º ano.

– Isso mesmo, Fabíola, regrinha básica. Mas, vamos lá, pessoal, não é tão difícil assim.

– Ai, professora, como a gente vai descobrir que regrinha é essa que a senhora está falando? – perguntou Ana Luísa, outra aluna da professora Viviane.

– Pessoal, vou ajudar vocês a descobrirem de qual regrinha estou falando: O que faz uma brincadeira ser realmente engraçada?

– Ah, essa é fácil, uma brincadeira engraçada é quando todo mundo “chora” de rir... – concluiu Lucas, um lindo menino de pele morena e olhos castanhos.

A professora Viviane mal se aguentava de tanta felicidade, afinal, tinha conseguido fazer os próprios alunos responderem.

– Isso mesmo, pessoal, vocês acertaram! Uma boa brincadeira ou até mesmo uma piada somente são boas quando TODOS dão risada.

A professora Viviane usou todos os seus argumentos para explicar aos alunos que uma brincadeira só é boa de verdade quando todos os envolvidos não se sentem magoados com ela.

Dava gosto de ver, as “carinhas” dos alunos demonstravam o espanto de terem percebido algo tão fundamental na vida das pessoas.

Afinal, se for para um chorar, ninguém poderia rir, você não acha?

Erika de Souza Bueno: Coordenadora Pedagógica do Planeta Educação. Professora e consultora de Língua Portuguesa pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa, educação e família. Editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Fonte da Imagem: Corbis.

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