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Era Uma Vez

Os Diminutivos em “Essas Meninas”

Menina sorrindo com grampinho nos cabelos

Franciane é uma menina muito linda, de voz rouca e pele de princesa, que adora coisinhas meigas e delicadas.

Entre essas “coisinhas meiguinhas e delicadinhas”, como ela gostava sempre de falar, encontra-se de tudo um pouco: presilhinhas, grampinhos, cadernetinhas cor-de-rosa, bolsinhas charmosinhas, perfuminhos fofinhos...

Nossa, era tanta coisa cor-de-rosa que, às vezes, os olhos da gente ficavam até embaçados.

– Tati, você me empresta seu sapatinho branco hoje à noite? É que quero usar junto com meu conjuntivo pink.

– Claro, France, é só passar em casa e pegar, lindinha, mas por que você quer ficar gatinha hoje? Vai, me conta tudinho, quero saber!

– Ah, é que vou à igreja com minha tia, mas já estou cansada das minhas sandalinhas, quero coisinhas novas, sabe?

Bem, acho que Franciane não era a única que gostava dos diminutivos por ali...

Entre as amiguinhas da simpática menina dos “sonhos cor-de-rosa”, contavam a “Vá”, a “Lu”, a “Dê” e, acredite, tinha até uma que gostava de ser chamada de “Vivi”, mesmo se chamando “Vitória”.

Vai dia, vem dia, o tempo vai passando e France – vamos chamá-la assim de agora em diante – vai descobrindo alguns segredinhos de beleza.

A menina era de uma criatividade que dava vontade de copiá-la.

Sempre aparecia na escola com uma presilhinha diferente, cada dia de um jeito, cada dia de uma cor.

Um dia, ela deixava os cabelos bem presos, mas não dispensava a brilhante presilha que lhe dava um charme todo especial.

Outro dia, a professora Tânia quase não a reconhecia porque a menina inventava que queria cabelos lisos.

Nossa, onde já se viu isso? Cada um com o seu cabelo e pronto, não acha?

– France – questionou a professora –, por que você está com os cabelos tão lisos hoje?

– Ah, professora, é que já vim de cachos ontem, e hoje quis colocar esses grampinhos coloridinhos que aparecem bem mais em cabelos bem lisinhos.

Tudo certo, tudo legal, mas a menina poderia acabar estragando os cabelos de tanto inventar moda.

A sala inteira estava atenta para ouvir a conversa das duas, até mesmo pelo fato de serem muito interessantes os penteados que a menina sempre fazia.

France cuidava tanto de si que todos os dias gastava horas arrumando os cabelos antes de ir à escola.

Mas era só isso! A esperta menina se preocupava tanto, mas tanto que pensava até como seria sua aparência quando tivesse 30 ou 40 anos. Dá para acreditar?

Ao sair pelo portão de casa, France procurava atentamente os locais com sombra, pois morria de medo de, quando crescesse, ter manchas causadas pelo sol.

Não tinha jeito, a menina, mesmo que advertida várias vezes, era bem convicta com o que queria para si e, portanto, continuava buscando a sombra, fazendo penteados e mais penteados e, como não poderia deixar de ser, se entregando aos diminutivos.

– Queridos – a professora Tânia resolveu tirar uma boa lição a partir das características da bela menina de coração alegre e bondoso –, hoje nós vamos aprender um pouco mais a formar os diminutivos.
France quase saltou de alegria, dava para perceber seus olhinhos vidrados na explicação da professora.

Ela mal podia dar conta de sua ansiedade e, por várias vezes, interrompeu a professora para perguntar se era certo falar palavrinhas bonitinhas como meiguinha, fofinha, lindinha...

Bom, para falar bem a verdade, o que ela queria mesmo era ressaltar seus muitos e bons adjetivos.

Naquela aula, Franciane, Tatiana, Vanessa, Luane (por que será que ela não queria ser chamada de “Lua”?), Denise e Vitória aprenderam muito!

Elas entenderam que devemos sempre respeitar os finais das palavras antes de sair por aí “tacando” “inhos” para todo lado.

Difícil? Que nada, a criançada toda aprendeu que em palavras que terminam com sílabas fortes, ou tônicas, como em “pé” e “papel”, os “inhos da vida” só poderão aparecer se forem escritos com “Z”.

A classe inteira aprendeu, também, que algumas palavras continuam do mesmo jeito e que só se acrescenta o “zinho” ou “zinha”, como nas palavrinhas  “fã”, “anão” e “flor”.

Nossa, quem mandou a professora Tânia dar tantas explicações assim? Agora, France chamava o cão Bile de “cãozinho”, o perfume de maçã de “maçãzinha”, o avô de “avozinho”...

Ah, essas menininhas de hoje...

Erika de Souza Bueno: Coordenadora Pedagógica do Planeta Educação. Professora e consultora de Língua Portuguesa pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa, educação e família. Editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Fonte da Imagem: Corbis.

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