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Era Uma Vez

O Quebra-Cabeça da Professora Patrícia

Dois meninos rindo e montando um quebra-cabeça

– Volta aqui, seu bobo, se eu pegar você, você vai ver!

– Larga a minha mochila, Lucas, deixa de ser chato!

– Nossa, você é muito cara de pau mesmo, hein, Victor?

– Gente, olha que risada mais engraçada que o Fernando tem!

– Ai, não aguento mais esses moleques...

É... Os alunos da professora Patrícia estavam muito agressivos, e ela precisava tomar uma atitude certeira de uma vez por todas.

É bem verdade que no início do ano os alunos estavam mais tranquilos, se respeitavam, muito mais calmos, bem diferentes do que se via agora.

Era todo dia daquele jeito, Patrícia ficava de cabelos em pés e já estava cansada de deixá-los de castigo, pois isso aumentava ainda mais a rivalidade entre eles.

Decidiu, então, partir para a prática e levou para a sala de aula dois jogos de quebra-cabeça.

– Pessoal, silêncio, hoje nós vamos começar a aula tentando montar dois jogos de quebra-cabeça. Vamos organizar dois grupos para vermos qual vai terminar primeiro.

– Ah, nem vem, Mariana, não quero você no meu grupo, você vive cochilando durante a aula.

– Corre aqui, João, vamos formar a melhor equipe para vencer, corre!

– E quem é que disse que são vocês que vão escolher os grupos? – disse a professora interrompendo a sala eufórica.

– Não? – todos os alunos perguntaram como se fossem apenas um.

Muito calmamente, Patrícia explicou que os dois grupos iriam ser compostos a partir de um sorteio.

Após o sorteio e os grupos organizados, a professora entrega os jogos e, de pronto, os grupos começam a montá-los.

Fernando, outro aluno da professora Patrícia, interrompe os colegas:

– Espera um pouco, esse quebra-cabeça está errado, essa peça não é daqui.

– Ei, pessoal – Mariana, do grupo “rival”, interrompe –, as peças estão misturadas, e precisamos trocar esta peça por outra que está com vocês.

– Feito! – todos do grupo de Fernando concordaram rapidamente.

Mariana, a menina sonolenta, tinha decifrado o mistério que a professora Patrícia tinha imposto a eles, e incentivava as trocas das peças dos jogos de quebra-cabeça a todo o momento.

Os grupos terminaram praticamente juntos, pois um estava com a peça do outro.

Numa roda de conversa, a professora Patrícia pergunta os aprendizados que os alunos tiveram ao montarem o quebra-cabeça.

– Eu adorei – Lucas foi o primeiro a comentar.

Victor, pensando bem, também resolve arriscar:

– Eu percebi que a gente precisa um do outro para montar o jogo, não é isso, professora?

– É isso mesmo, Victor, parabéns, mas não é apenas o quebra-cabeça, mas tudo na vida da gente só é completo e bonito como o desenho montado nos jogos quando fazemos com a ajuda de outro colega, independente se ele é gordo, magro, sonolento, arteiro ou se tem uma risada esquisita, vocês entenderam?

Sem perder a oportunidade de tentar um recomeço, a orgulhosa professora Patrícia pede que eles se abracem e passem, a partir daquele dia, a montar o “quebra-cabeça” da vida deles contando uns com os outros.

Aquela aula terminou com uma bela lição que foi relembrada durante todo o restante do ano letivo.

Erika de Souza Bueno: Coordenadora Pedagógica do Planeta Educação. Professora e consultora de Língua Portuguesa pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa, educação e família. Editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Fonte da Imagem: Corbis.

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