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Era Uma Vez

Os Três Ratinhos

Ratinho branco assustado

Esse pequeno livro é dedicado com grande carinho a meus filhos, João Vítor e Thaís. Reaprendi a contar histórias sentando ao lado deles e inventando tramas como a dos três ratinhos...

Era uma vez... Três ratinhos que moravam num pequeno buraco.

O buraco em que eles moravam ficava numa casa comum, dessas que a gente está cansado de ver em tudo quanto é canto.

Viviam felizes essas três criaturinhas.

Na casa comum em que viviam a geladeira e os armários estavam sempre fartos.

Nunca faltava alimento. Não lhes faltava comida durante o dia e nem à noite.

E o melhor de tudo é que não havia nenhum gato na casa para lhes tirar o prazer de matar a fome com tudo de bom que encontravam nos armários e no refrigerador.

Até que um dia a dona da casa trouxe um gatinho para lhe fazer companhia...

Esse gato também tinha vindo para vigiar a geladeira e impedir que os ratinhos fizessem sua festa particular.

Mas os ratos se achavam mais espertos que o gatinho que acabara de chegar.

Por esse motivo resolveram usar uma estratégia para conseguir alimento.

Resolveram que para confundir o gato os três iriam correr ao mesmo tempo para fora de seu buraco.

Cada um deveria seguir numa direção para que o gato não soubesse a quem caçar.

Um dos ratinhos iria para a geladeira e de lá traria alimento para todos.

E lá se foram os três ratos. Seu primeiro objetivo foi atingido.

O gato ficou confuso e não soube a quem perseguir.

Um deles conseguiu chegar à geladeira e lá encontrou um lindo queijo. Logo imaginou que seus irmãos ficariam felizes em comer aquela delícia.

Foi então rolando o queijo com cuidado em direção ao buraco onde moravam.

Olhava atentamente para os lados para não ser surpreendido pelo gato.

Ao chegar ao buraco em que viviam não conseguia entrar, pois o queijo era maior que a entrada por onde passavam. Tentou, tentou e tentou.

Gastou tanto tempo ali que não viu o gato chegando...

Era o seu fim. Seus irmãos ainda não haviam retornado para o buraco e não ficaram sabendo o que havia acontecido.

Ficaram apenas desconfiados de que não veriam mais o companheiro...

Sentiram muito pelo desaparecimento do irmão, mas a fome continuava rondando suas vidas...

Resolveram então tentar novamente dividir a atenção do gato correndo um para cada lado.

Como o gatinho não era lá muito esperto, acabaram enganando-o novamente.

Um dos dois ratinhos conseguiu chegar à geladeira e lá encontrou aquele belo pedaço de queijo.

Achou que aquele alimento seria perfeito para saciar a fome dele e do irmão.

Partiu então de volta para seu buraco.

Como seu infeliz irmão que fizera essa viagem de volta, esse ratinho não havia previsto que o buraco de entrada fosse pequeno demais para que ele pudesse empurrar o queijo lá para dentro.

Foi então que o gatinho, na ponta dos pés, chegou de mansinho e... o devorou!

O ratinho que ficou sozinho não ficou sabendo de nada.

Sentiu a falta do outro irmãozinho e também muita, muita fome!

Esperou que o gato desaparecesse da cozinha e se aventurou em direção à geladeira.

Lá chegando resolveu devorar o queijo imediatamente.

Saciada a fome tinha que voltar para casa.

Atravessou silenciosamente a cozinha em direção a seu buraco.

Percebeu que o gato estava entrando naquele ambiente e começou a correr, apavorado.

Pesado por todo o queijo que havia comido, ele tinha menos velocidade do que o normal.

Como estava perto do buraco onde viviam, estava próximo da salvação.

Só não contava que com toda aquela pança do queijo que comera não conseguiria mais passar pelo buraco e, por isso,acabou devorado pelo gatinho...

Morreram pela boca. Foram derrotados por que tiveram os olhos maiores do que a barriga.

E que isso fique de lição para muitos e muitos outros ratinhos e comilões de plantão...

João Luís de Almeida Machado é Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte da Imagem: Corbis.

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